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Quando anunciamos o Evangelho de Cristo entramos em confronto direto com o pecado dos ouvintes. Nisso, duas coisas podem acontecer: ou irá provocar na pessoa arrependimento e entrega aos caminhos de Cristo (Romanos 7.7-25) ou provocará o ódio dela, pois, não é nada agradável alguém falar de nossos erros ou mesmo assumirmos isso. Entretanto, o Evangelho precisa ser anunciado. Outra questão a se notar, é que quando nos aproximamos da Palava de Deus, do compromisso com Deus, começamos a ter aversão pelo pecado e às vezes, até mesmo sem querer, agimos de maneira arrogante ou com sentimento julgativo. Aqui serão destacados pontos importantíssimos para que possamos tomar os cuidados necessários para sabermos nos portar de maneira adequada ante os pecados do próximo, quando formos anunciar o Evangelho de Cristo.

 

1. O amor ao próximo: Ao anunciarmos o Evangelho de Cristo, devemos sempre colocar o amor em primeira instância, senão agiremos de maneira arrogante ou com sentimento julgativo. Todos os nossos atos tem que ser baseados no amor.

 

1.1. O amor ao próximo é o segundo grande mandamento (Mateus 22.34-40). O amor ao próximo é o maior testemunho cristão:

 

“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (João 13.34,35).

 

“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (1 Coríntios 13.1-3).

 

“Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Efésios 5.1,2).

 

“Acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição” (Colossenses 3.14/ confere Colossenses 3.1-14).

 

“No tocante ao amor fraternal, não há necessidade de que eu vos escreva, porquanto vós mesmos estais por Deus instruídos que deveis amar-vos uns aos outros” (1 Tessalonicenses 4.9).

 

“Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, até agora, está nas trevas. Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço. Aquele, porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos” (1 João 2.9-11).

 

“Ora, o seu mandamento é este: que creiamos em o nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou. E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus, nele. E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu” (1 João 3.23,24).

 

“Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (1 João 4.7,8).

 

“Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se amamos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado” (1 João 4.11,12).

 

1.2. Exemplo do amor ao inimigo. Jesus nos ensinou que devemos amor até aquele que nos tem por inimigo (confere Mateus 5.43-48/ Lucas 6.27-36). Se apendermos a amar o nosso inimigo, saberemos amar as pessoas independentemente do pecado dela. Dessa maneira, não devemos fazer acepção de pessoas por pecado algum. 

 

“O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-se ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros... abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis... Não torneis a ninguém mal por mal... se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber... Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos 12.9,10,14,17,20,21/ confere Romanos 12.9-21).

 

“Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados” (1 Pedro 4.8).

 

​Esse amor que Cristo exige de nós não vem de nós mesmos, mas devemos buscá-lo em Deus (1 João 2.8-11; 4.7,8). Esse amor é derramado em nossos corações através do Espírito Santo (Romanos 5.1-5)

 

A inteligência sem amor te faz prepotente.

A humildade sem amor te faz hipócrita.

A pobreza sem amor te faz orgulhoso.

A justiça sem amor te faz implacável.

A autoridade sem amor te faz tirano.

O trabalho sem amor te faz escravo.

A docilidade sem amor te faz servil.

O êxito sem amor te faz arrogante.

A política sem amor te faz egoísta.

A riqueza sem amor te faz ávaro.

A oração sem amor te faz falso.

A lei sem amor te faz perverso.

A beleza sem amor te faz fútil.

A fé sem amor te faz fanático.

A cruz sem amor se converte em tortura.

A vida sem amor, não tem sentido...

 

2. Disposição: Deus não exige que sejamos perfeitos, mas que tenhamos coração disposto a seguir a vontade Dele e o mais Ele mesmo fará através de nós. Devemos ter o coração disposto a buscar a vontade de Deus; disposição para cumprir os mandamentos Dele; e disposição para ensinar a respeito dos Seus estatutos e juízo, evangelizar (confere Esdras 7.10)Tanto o querer fazer o bem como efetuá-lo pertencem ao agir de Deus (Romanos 7.15-18/ Filipenses 4.12,13)Se não houver disposição no coração, não saberemos como lidar com o pecado alheio. A oração sincera e a intercessão fazem parte dessa disposição. Não adianta o pecado ser denunciado e não haver disposição de ajudar a pessoa a trilhar os caminhos do Senhor.

 

3. Humildade: Devemos ter humildade em reconhecer situações que não podemos resolver para não agirmos de maneira errada ou de qualquer maneira. Devemos ser cautelosos e humildes em reconhecer quando não sabemos responder a uma determinada situação.

 

3.1. Observa-se em João 8.3-6, quando os escribas e fariseus trouxeram uma mulher apanhada em adultério com o intuito de deixar Jesus numa situação embaraçosa, no primeiro momento Jesus não deu a mínima para eles, simplesmente inclinou e ficou escrevendo na terra. Ele só respondeu aos questionamento dos escribas e fariseus por eles terem insistido (João 8.7), contudo, respondeu com sabedoria (confere o ponto 9.1).

 

3.2. Vemos em Mateus 14.15,16, no episódio do primeiro milagre da multiplicação, os discípulos queriam despedir a multidão porque já era tarde, mas Jesus retrucou dizendo que eram eles que deveriam alimentar aquela multidão. Como poderia apenas doze discípulos alimentar cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças? Na verdade, Jesus disse isso para os testarem, pois Ele bem sabia que deveria fazer (confere João 6.6). Entretanto, em vez de reconhecerem a complicação da situação, antes foram correr atrás de resolver a situações por eles mesmos. Primeiro arranjaram duzentos denários (Marcos 6.37/ João 6.7), e depois conseguiram os cinco pães e dois peixes (Mateus 14.17/ Marcos 6.38/ Lucas 9.13/ João 6.8,9). Quando reconheceram a impossibilidade de resolverem a situação, Jesus realizou o milagre. Muitas vezes agimos assim ao nos deparar com o pecado alheio. Mesmo diante de situações complicadíssimas, em vez de reconhecer a nossa incapacidade, tentamos resolver do nosso jeito. E por algum momento Jesus até nos permite de fazer isso, assim como Ele permitiu aos discípulos no episódio da primeira multiplicação. No entanto, assim como eles reconheceram que não poderiam alimentar cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças, devemos reconhecer que há momentos não temos o que fazer ou que dizer. Apenas entregar o problema nas mãos de Deus e esperar pelo Seu agir.

 

“Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (Romanos 12.16).

 

4. Não devemos conformar, consentir: Amar não é consentir.

 

“Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem” (Romanos 1.32). Aqui mostra que Deus dará sentença àqueles que cometem algum tipo de pecado e também àqueles que consentem, isto é, ficam em “cima do muro” (não é contra, mas também não é favor), evitam denunciar o pecado por receio ou por causa de amizade. Os tais acabam “empurrando” as pessoas para o inferno, por não denunciar o pecado. Devemos denunciar o pecado para que as pessoas alcance o favor da Graça de Cristo (confere Atos 26.15-18).

 

5. Não devemos julgar, condenar: Amar não é julgar nem condenar. A nós cabe denunciar o pecado, mas não condenar ninguém. Não concordar não é condenar nem julgar. Quem ama exorta, ensina, alerta. Quem julga, condena (confere Mateus 7.1-5/ Lucas 6.37-42/ Tiago 4.11,12).

 

5.1. Em João 8.1-11, vemos o exemplo do quanto não podemos julgar ninguém. Jesus disse para os acusadores da mulher apanhada em adultério que atirasse a primeira pedra aquele que nunca pecou. Ao denunciar o pecado, devemos nos lembrar sempre de quem éramos antes de conhecer o Evangelho de Cristo. Antes estávamos nos mesmo barco da condenação (confere Romanos 3.9-18,21-26/ Efésios 2.1-10/ Colossenses 3.5-7). O apóstolo Paulo, em Atos 14.15, disse que todos os homens estão sujeitos aos mesmos sentimentos. Quem somos nós para condenar o próximo? (confere Romanos 2.1-8). Devemos nos lembrar sempre que não foi a gente que escolheu a Jesus, mas Ele que nos escolheu (confere João 15.16/ 1 João 4.10,19). Se não fosse Ele ter nos chamado, a gente permaneceria no mesmo lugar. Devemos nos lembrar também que Jesus não nos escolheu por sermos os mais “justos” ou “santos”, mas sim por sermos pecadores, carentes da Sua Graça (confere Mateus 9.10-13/ Lucas 5.29-32; 18.9-14). Vale ressaltar que em João 8.1-11, o fato de Jesus nos ensinar a não julgarmos uns aos outros, Ele não consentiu com erro da mulher apanhada em adultério, antes Ele disse a ela para não pecar mais (confere João 8.10,11).

 

6. Experiência de transformação espiritual.

 

6.1. Nossa experiência transformadora em Cristo servirá de testemunho e consolo para outros (confere João 9.13-25/ Romanos 5.1-5/ 2 Coríntios 1.3-5). Quando vencemos nossas fraquezas pecaminosas pela Graça de Cristo, nos tornamos exemplos para outros que vivem numa mesma situação. Por exemplo, uma pessoa que deixou ser homossexual pela ação da Graça de Deus na vida dele, ela se torna uma testemunha para outras pessoas de que é possível deixar a prática da homossexualidade.

 

Até mesmo uma experiência dolorosa que Deus permite em nossa vida e que passamos pela Graça de Deus, se transforma em experiência de vida para sabermos como evangelizar pessoas que passem pela mesma situação. Por exemplo, quando perdermos um ente querido, mas somos confortados pela Graça de Deus, isso serve de experiência de vida para aqueles que passam pela mesma situação, mas que estarão abertos a nos ouvir, pois entenderão que já vivemos a mesma situação.

 

6.2. Contudo, nem todo tipo de experiência Deus nos permitirá. Por exemplo, um cristão se envolver com o homossexualismo para saber lidar com essa questão. Nesse caso, precisamos ter conhecimento da Palavra, entendimento espiritual e sabedoria.

 

7. Conhecimento: conhecer a Deus, Seus mandamentos e juízos.

 

7.1. Necessário, importante, mas não o suficiente para o evangelismo. Se tivermos apenas o conhecimento seremos superficiais no evangelismo. Iremos “guerrear” o nosso conhecimento da Palavra contra conhecimento natural dos ímpios.

 

7.2. Evitar debates. “Vitória” em debates não alegra ao Senhor, pois mesmo perdendo o debate o ímpio ainda poderia permanecer no mesmo caminho pecaminoso. Vale ressaltar que Jesus nunca perdeu tempo debatendo teologia com fariseus e saduceus.

 

8. Entendimento:

 

8.1. Compreensão, compaixão. Se colocar no lugar do outro.

 

8.2. Entender a cegueira espiritual daqueles que não tem experiência com Cristo (confere Romanos 7.7-25/ 1 Coríntios 2.6-16). Imagine a gente dizer para um cego: “cuidado que você pode tropeçar; cuidado que você pode se esbarrar em alguma coisa; etc.”. O que ele responderia? No mínimo nos acharia tolos e não daria a mínima para nós. Se realmente queremos ajudar, não adianta apenas alertar, devemos guiá-lo para que não tropece ou se esbarre em alguma coisa. A mesma coisa quando denunciamos o pecado. Não adianta dizermos a pessoa que se ela continuar no peado irá para o inferno, pois, pouco ela entenderá a respeito disso já que não tem visão espiritual e assim por muitas vezes nos ache loucos. Devemos saber guiá-la no caminho certo.

 

8.3. Entender que nossa luta não é contra as pessoas, mas contra Satanás e seus demônios (Efésiso 6.10-12). Satanás é sagaz em se aproveitar da fraqueza humana para difamar o Evangelho de Cristo, jogando o ser humano contra Deus.

 

9. Sabedoria: Devemos ter sabedoria para que possamos saber evangelizar as pessoas. Essa sabedoria não vem de nós mesmos, mas devemos buscá-la em Deus (Tiago 1.5-8; 3.13-18).

 

9.1. Jesus sempre agiu com sabedoria quando era afrontado pelos fariseus e saduceus. Os Evangelhos nos mostram que os escribas e fariseus sempre entravam em oposição a Jesus. Em todo momento eles tentavam Jesus (Mateus 16.1); O experimentavam (Mateus 19.3; 22.34,35); e O colocavam à prova (Lucas 10.25). Isso tudo porque queriam surpreendê-lO em alguma palavra (confere Mateus 22.15/ Marcos 12.13). “Saindo Jesus dali, passaram os escribas e fariseus a argüi-lo com veemência, procurando confundi-lo a respeito de muitos assuntos, com o intuito de tirar das suas próprias palavras motivo para o acusar” (Lucas 11.53,54/ confere Mateus 12.10/ Lucas 20.20). Houve momentos que Jesus sequer dava resposta alguma (confere Mateus 12.38-42; 16.1-4; 21.23-27/ Lucas 20.1-8). Em João 8.3-6 nota-se que Jesus, no primeiro momento, não deu a mínima para o questionamento dos fariseus e escribas.

 

9.2. Temos o exemplo do apóstolo Paulo em Colossenses 4.2-4: “Perseverai na oração, vigiando com ações de graças. Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado; para que eu o manifeste, como devo fazer. Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um”.

 

9.3. Devemos nos lembrar que é o Espírito Santo que convence o homem do pecado e Ele mesmo falará através de nós (Mateus 10.19,20/ Lucas 12.11,12/ João 14.26; 15.26; 16.7-11). Devemos pregar o Evangelho, mas quem faz a obra é Deus.

 

9.4. Vale ressaltar sobre a questão da renúncia ao nosso próprio ego para que possamos receber a sabedoria, senão nos vangloriaremos em nós mesmos. Deus quer encontrar em nós “terra fértil” para semear a Sua vontade.

 

10. Por que muitos ainda permanecem no pecado mesmo depois de ter tido experiência com Cristo?

 

10.1. Por causa do orgulho. De nossa vanglória. Da soberba. Veja o exemplo de quando Deus levou o povo israelita para o mar Vermelho. Aprendo que diante do mar Vermelho, Deus tratou o povo em três áreas: o apagamento do passado no Egito; o quebrantamento do orgulho, já que o povo não tinha condição por si mesmo atravessar o mar; e ter dependência de Deus pela fé. Mesmo tendo o povo sido libertado do Egito, faraó com seus soldados perseguiram o povo até o mar Vermelho. Enquanto o povo ficava de frente para o mar, atrás vinha faraó. A passagem do povo pelo mar representa que o passado já não importa mais. Se a pessoa não atravessar o “mar Vermelho” de sua vida espiritual ainda ficará sujeita ao passado e assim terá recaídas. Satanás é sagaz de nos lembrar e nos acusar do nosso passado.

 

10.2. Para que tenhamos disposição em ajudar (como no caso de familiares e irmãos em Cristo). Quando sentimos na pele o problema, procuramos agir. 

COMO LIDAR COM O PECADO ALHEIO

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